Estou aqui, num quarto de hotel de duas estrelas (uma para a cama, meia para o ar condicionado e meia para o café da manhã). E deve ser o máximo que a cidade permite pois é considerado um dos melhores (do total de três) hotéis da cidade de Penápolis, interior de São Paulo. Mas o número de estrelas pouco importa. O que importa mesmo é poder rever meu namorado que, neste momento, retorna de Rio Claro onde foi jogar, defendendo o CAP.
Enquanto ele não chega, sigo com meus pensamentos sobre o futuro. Em duas semanas viajo para a Irlanda, onde morarei por tempo indeterminado.
Por que a Irlanda? O que vais fazer lá? São as perguntas que mais escuto.
Sonhos vão e vêm… uns passam e outros permanecem. Uns a gente esquece, ou perdem a significância e outros a gente luta para realizar. O que seria de nós sem eles? A melhor coisa é sonhar e, melhor ainda, realizar. Sonho antigo este de morar em outro país, com outra língua, outros costumes, outras pessoas, enfim, outra realidade.
Mas voltando às perguntas. Escolhi a Irlanda por vários motivos. Não necessariamente nesta ordem, mas por ser o inglês o principal idioma; por não dificultarem o visto (apesar da exigência de ter 3 mil euros em um banco irlandês); ouvindo relatos de pessoas que já estiveram lá, Dublin tem um povo acolhedor e é uma cidade basicamente de estudantes; poderei trabalhar 20 horas por semana durante o período de aulas (primeiro semestre) e 40 horas semanais no segundo semestre. A segunda pergunta já ficou subentendida nestas respostas, ou talvez não. Mas respondendo, irei para estudar inglês, me ralar e voltar uma pessoa melhor.
Tenho ciência de que fácil não será. Largar tudo, ficar longe da família, do Fê, dos amigos, do Zug, da comodidade da minha casa, do meu carro, da minha empresa. Mas sempre tive um espírito aventureiro, uma inquietude que me faz querer conhecer o mundo e não ficar presa à mesmice, ao trivial.

Li outro dia o texto “A coragem de se apaixonar” de Hilda Lucas e ela começa o texto assim:
Não adianta, a paz não é suficiente. Já se perguntava Riobaldo: “Se a paz é boa? Então, como é que ela enjoa?”.
Coragem é a maior das virtudes. Não deixe que seus medos o impeçam de sonhar e realizar. Então, não fique aí parado! Bora superar os medos e arriscar-se!

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